Friday, April 16, 2004

Amores de minha vida,



Ontem, 02 de março foi o Dia do Turismo e bem, minha alma de turismóloga manifestou-se de forma a não deixar que a data passasse em brancas nuvens, afinal, para muitos foi um dia qualquer, enquanto para mim foi um dia muito importante para se comemorar. O que seria dos meus quatro anos de Faculdade e dos meus planos para uma pós-graduação se não existisse o turismo?



O fato é que todo o mundo sonha em ser um turista feliz a cada folga, feriado ( de preferência prolongado), nas férias ( falta quanto tempo mesmo?)... ou o merecido descanso após anos e anos de labuta dura e diária, com a aposentaria.



Enfim, eu visto mesmo a camisa do sol, da água de coco, da praia, da redinha e naaaaaada pra fazer. E pra provar que o turismo é algo “porreta”, fui remexer na minha caixa cerebral de reminiscências não contadas e deparei-me com a seguinte história: Congresso em Natal.



Estava no 2º ano da Facú e o professor de Lazer incentivava a galera para inscrever trabalhos acadêmicos para o Enarel – Encontro Nacional de Recreação e Lazer – que acontece anualmente e que, em novembro de 2000 aconteceria na cidade de Natal – RN. Daí que eu e a amiga inseparável Petita, mandamos o resumo do nosso estudo sobre o Pólo Luz para um painel no Enarel. Foi assim, com uma boa desculpa que eu pedi uma semana de folga para o Sr. Meale, arrumei as malas e me mandei para o Nordeste.



Nosso lar era incrível lá, bem no meio do nada e longe de tudo estava nosso Hotel. Cheio de calangos correndo na piscina, tapioca com queijo coalho todo o dia no café da manhã e pizza de catchup no jantar rodízio.



Utilizávamos a seguinte lógica: se tínhamos atividade de manhã no Congresso, íamos á tarde para a praia e se a programação era á tarde, ´bora pra praia de manhã... Chegamos com uns três dias de antecedência ao Congresso, então aproveitamos o que podíamos. Acordamos cedo um dia para nos aventurarmos entre as dunas de Jenipabú – eu, Petita e Sérgio junto com o bugueiro tarado por nipônicas que não cansava de me propor casório. Nem vou mencionar as belezas naturais do local porque a narrativa seria extensa demais e eu prefiro comentar os fatos engraçados e/ou bizarros.



Em Pitanguy paramos em uma lagoa de água doce e eis que um grito surge do além: “Mas eu não acredito! Saio de São Paulo e atravesso quase o país inteiro e venho encontrar justo aqui, Ana Patrícia e Dani Ohira!” (foi mais ou menos assim...). De cervejinha na mão e pés na água caminhando em nossa direção, lá vinha o nosso Rei(naldo) – professor e orientador, responsável pelo nosso turismo na capital do Rio Grande do Norte. O tiozinho do bar, percebendo a euforia da nossa galera, veio depressa com uns banquinhos pra gente sentar lá no meio da lagoa mesmo. Só sei que o Reinaldo estava muito engraçado aquele dia...



Continuamos nossa viagem, deixando para trás nosso teacher e a trupe que o acompanhava rumo ao nosso destino Jenipabú. Encontramos um potiguar negão sarado e com olhos verdes vendendo bijouterias. O cara lança pra Petita: “ Esse brinco é feito da semente da Canabis”. Eu achei o máximo da criatividade, mas a Pê não sabia muito bem de onde vinha a tal semente... “Canabis?”. Eu expliquei: “Maconha, Pê”. E ela prontamente justificou: “ O que é isso, moço! Eu sou crente!”. E o tiozão sem perder a deixa lançou um “ eu também, tanto que creio nela!”.



Mas á noite no Congresso rolou a emoção de conhecer uma pessoa ilustre, já que tínhamos lido e discutido muitos dos textos do Profº Marcellino. A Érika Bautto sem muitas papas na língua e sempre em prol da sinceridade, perguntou pra gente na frente do excelentíssimo mesmo se ele era gay. Eu e a Pê procuramos logo nosso buraco de avestruz pra sumir o mais rápido dali.



O clímax da viagem, entretanto, aconteceu mesmo na Praia em Ponta Negra (desculpe amiga, eu sei que não é um momento muito bom, mas você sabe que ele é parte de nossa permanência em Natal). Eu, Petita e Bautto avistamos o “tipicamente gringo”, de camisa social, calça comprida, sapatos, óculos de grau, muito branco mas que áquela altura, já um pouco cor de rosa por causa do sol e do calor , caminhando á la plage . Ao tentar registrar com provas verídicas que o turista estrangeiro realmente existe, através de uma inocente fotinho, conhecemos o Michel. O melhor aconteceu quando ao anoitecer, ao nos despedirmos do Michel, ele, com a mão esquerda segurou a mão de Petita e com a mão direita segurou minha mão e nos sacudindo muito disse: “It was perfect! I will never forget this day! I´ll miss you a lot!” . Eu e Petita, paradas, olhando para aquele holandês muito alto e sem saber o que responder de volta. Verdadeira cena de cinema...



E viva o Turismo! Que é capaz de trazer para as nossas vidas novos amigos, novos aprendizados, nova cultura e muito descanso. Ai, ai, ai...

Beijos na vida:

Dani


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